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Publicado em Notícias
Postado por  Sede Geral - Rosali Paloschi 22 Janeiro 2020
Pacto Global Educativo

 

Para educar uma

criança, é necessária uma aldeia inteira”.

Provérbio Africano.

A Pontifícia Universidade Antonianum, nos dias 14 a 16 de janeiro, em Roma, Itália, promoveu um seminário com o tema Natureza e Ambiente: a beleza da natureza faz o homem belo”. Evento organizado dentro da iniciativa “Reconstruindo o pacto educacional global”, promovido pela Congregação para a Educação Católica, indicado pelo Papa Francisco. Participaram do seminário cerca de 100 pessoas de diversas instituições governamentais, da sociedade civil e da igreja.

O pacto Global Educativo, é um chamado do papa Francisco, para todas as instituições educativas e as pessoas de boa vontade se empenharem e se comprometerem com a educação, como forma de mudanças de paradigmas e trilhar novos caminhos educativos, onde educador e educando dialogam e interagem, em um processo de mútua aprendizagem, numa dinâmica de aprender - desaprender - reaprender.

A iniciativa do Pacto Global Educativo visa uma educação que saiba ser portadora duma aliança entre todos os componentes da pessoa. Uma aliança entre os habitantes da terra e a “Casa Comum”, para garantir a vida as gerações futuras e uma aliança que gere relações de paz, justiça, solidariedade e respeito entre todos os povos, raças e religiões.

No Pacto Educativo Global, todas as pessoas, instituições e grupos são chamadas a dar vida e espirito a todos os processos educativos formais e informais, numa compreensão que pessoa e natureza/criatura, têm valor igual e complementar, pois “tudo está intimamente conectado e interligado, numa ecologia integral.

O seminário na Universidade Antonianum, possibilitou para sociedade Civil, instituições governamentais e instituições educativas uma reflexão que considere os diversos saberes e experiencias educativas concretas, que promovem um trabalho de ecologia integral.

Apresentou-se a missão em defesa do território e do povo Karipuna, como um esforço em defesa da “Casa Comum”.

“Em defesa do povo e da Terra Indígena Karipuna”. É com muita responsabilidade, que venho até vocês partilhar as vozes, que trago comigo da Amazônia, na defesa da vida, da terra e dos direitos da mãe terra e dos filhos e das filhas da terra.

O Papa Francisco, convoca a todos e todas, para uma educação e uma ecologia integral. Na Laudato Si nos fala uma ecologia integral requer abertura para categorias que transcendem a linguagem das ciências exatas ou da biologia e nos põem em contacto com a essência do ser humano”. A Amazônia com suas florestas, águas, fauna e flora têm seus encantos e vida própria, por isso, a partir do nosso cotidiano, da relação que temos com a terra, sem estudos científicos, sabemos que se destruirmos este ciclo de vida, a nossa Casa Comum, estaremos destruindo toda possibilidade de vida no planeta.

Temos na Pan Amazônia uma diversidade cultural e linguística ímpar, e uma biodiversidade muito importante para a vida dos povos amazônicos e do planeta, porém seus territórios estão totalmente ameaçados pela ação predatória do ser humano, pelos interesses econômicos, pela ação do crime organizado e a omissão dos estados nacionais.  O papa Francisco em Puerto Maldonado teve uma voz profética “provavelmente, nunca os povos originários amazônicos estiveram tão ameaçados nos seus territórios como o estão agora”.

Nesta resistência milenar, os povos originários, somando-se aos grupos que defendem a Casa Comum são “sementes teimosas”, que apesar dos projetos de morte, renascem das cinzas e são sinais de esperança.

Partilho com vocês, o esforço, a luta e o trabalho em defesa da Terra Indígena Karipuna, que é demarcada e homologada e que mesmo assim, sofre inúmeras invasões. Defender o território Karipuna é defender a vida, a terra e os direitos. O povo Karipuna, há 30 anos, sofreu quase um extermínio. Ficaram apenas 08 pessoas: cinco adultos e três crianças. Hoje o povo, vive novamente a eminência de um genocídio, pela ação ilegal de grupos econômicos e políticos, que querem se apossar de suas terras.

Em 2017, como parte da estratégia de trabalho, fizemos juntamente com lideranças Karipuna uma caminhada a pé pelo território, foram mais de 150 km a pé, registrando com coordenadas geográficas e imagens, os pontos de invasões do território, bem como, imagens aéreas feitas a partir de sobrevoos. Nos anos seguintes, continuamos os monitoramentos territoriais, mesmo sofrendo ameaças de morte e sendo perseguidos pelos invasores. O Cimi, Greenpeace, os Karipuna e o Movimento Indígena, conseguimos visibilizar o que estava acontecendo com o povo Karipuna e a real situação de desmatamento para a retirada ilegal de madeira e a grilagem de terra e, assim fazer incidências políticas em nível nacional e internacional.

O cenário que temos atualmente no Brasil, não é nada consolador, quando vemos os dados estatísticos de desmatamento e degradação da Amazônia. Mas uma esperança subversiva, não nos deixar imobilizados na defesa da mãe terra e vamos construindo pontes e alianças, com grupos, povos e pessoas que acreditam que pequenas ações, multiplicadas em várias partes do mundo, promovem mudança de atitudes e de posturas, no cuidado da Casa Comum, a partir de uma Ecologia Integral.

O desmatamento na Amazônia aumentou 212% em outubro de 2019 em relação ao mesmo mês no ano passado, segundo levantamento divulgado dia 04/12/2019, pelo Imazon (Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia). O estado de Rondônia é o terceiro estado mais desmatado, atingindo 13,8%.  Comparado aos dados de desmatamento em Rondônia, a terra indígena Karipuna continua a mais impactada com 1.083 ha, equivalente a 1.444 campos de futebol, em 2019. Partilho estes dados, para fazer eco ao sofrimento e as constantes violações de direitos e violências, ameaças de morte que vivemos hoje na Amazônia brasileira, pela ação de grupos econômicos e pelo crime organizado, que querem fazer da região uma terra da agropecuária e do agronegócio.

Hoje podemos afirmar que houve avanços significativos na proteção e fiscalização da terra indígena Karipuna, com as operações de fiscalização, indiciamento de pessoas envolvidas nas invasões e sequestro dos bens dos indiciados e em comparação ao ano 2018 houve uma queda de 25,3% do desmatamento, segundo dados do Prodes (Projeto de Monitoramento da Floresta Amazônica Brasileira por Satélite).

Como parte do trabalho, sabemos que não podemos deixar de continuar as denúncias de invasão da terra e das ameaças de morte que sofremos os aliados e os Karipuna.  Precisamos dar um passo a mais, para manter a integridade física, cultural e territorial e garantir para as gerações futuras, um território saudável. O povo está se propondo a reflorestar as áreas desmatadas ilegalmente, com mudas nativas, para recuperar a floresta.

É urgente que mudemos nossa forma de vida, que nossos ouvidos sejam aguçados e educados para ouvir o som da floresta que cresce no silêncio e não do barulho ruidoso de árvores tombando, pela ação criminosa de mãos humanas.

Não percamos a esperança e acreditemos sempre "gente simples, fazendo coisas pequenas, em lugares pouco importantes, consegue mudanças extraordinários." Provérbio africano.

Informações adicionais

  • Fonte da Notícia: Irmã Laura Vicuña P. Manso.

Comentários  

#2 Maria Aroní Rauen 16-02-2020 20:41
Sinal de esperança e alegria para nossa família francisclariana sua missão e atuação profética neste campo de missão. Muitas luzes da Divina Sabedoria para você e todas nós.
#1 Enedir Rosa Correa 07-02-2020 06:22
Obrigada Laura pela partilha e pela missão e voz profética que você assumiu.
Muitas Luzes para tua missão.

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