Na celebração do Dia Mundial do Meio Ambiente que é comemorado em 05 de junho recordamos o objetivo deste dia que consiste em criar uma postura crítica e ativa em relação aos problemas ambientais existentes no planeta. Nós, os seres humanos somos os grandes responsáveis pelas mudanças no meio ambiente, cabe a nós criar medidas que impeçam que os impactos atinjam de modo irreversível a Terra.
Hoje mais do que nunca somos convidados/as a tomarmos consciência de como nos relacionamos com toda a criação. Para nos ajudar partilhamos a reflexão abaixo extraída do livreto: A Profecia da Terra, Espiritualidade e Desafios para a Fé.
Entre todos os desafios que, atualmente, se impõem à grande maioria das sociedades no mundo, a crise ecológica, com a ameaça que pesa sobre todo sistema de vida no planeta Terra é, certamente, a mais grave manifestação da enfermidade generalizada que atinge o nosso Planeta vivo. Segundo o Papa Francisco, a crise ecológica é parte de algo mais profundo: uma crise de civilização. E acrescenta que a raiz de todo problema está na questão cultural e mesmo espiritual, que consiste no modo como o ser humano se relaciona com a Terra, nossa casa comum.
Antigamente as perguntas fundamentais da vida eram: “quem sou? “que sentido tem a vida?... Hoje, além das questões sobre o sentido da vida, o ser humano é interpelado por outras questões fundamentais como: “qual é o nosso lugar ou função neste Planeta?” Levar estas questões a sério pode ajudar a humanidade a se situar na Terra e se relacionar melhor com o Cosmos que nos envolve e nos dá sentido.
A Ecologia surgiu em ambientes alheios às Igrejas cristãs e, até os anos 60 do século passado, as Igrejas pareciam pouco sensíveis a essa questão. Hoje ainda, mantém uma Teologia e uma compreensão da vida que não veem o cuidado com a justiça social e a natureza como elementos centrais da fé. Mesmo a Teologia em sua corrente mais aberta, continua alheia ao esforço dos núcleos de base e de organizações ecológicas para mudar o paradigma civilizatório no qual fomos formados.
A terra contém uma profecia
Para a fé judaico-cristã, profeta ou profetiza é quem fala em nome de Deus. Neste sentido, só uma pessoa humana ceia profeta. A terra não poderia ser profeta. No entanto, os salmos propõem que “que a terra e o céu cantem de alegria e exultem no Senhor” (Sl 96 e 97) e que “toda a terra está cheia da glória de Deus, isso é, proclama a sua presença” (Sl 33,5;72,19; 119,64). O livro do Apocalipse diz que a terra veio em socorro da mulher grávida que representa a humanidade renovada.
Então, a terra tem sim uma mensagem a dar, uma palavra a dizer: uma profecia que podemos escutar ou não.
No século V, um dia, um filósofo quis conhecer o famoso monge Antão, abade que vivia no deserto do Egito. O filósofo queria saber de onde vinha toda a sua sabedoria. Antão respondeu: “O meu livro é a natureza. A terra e todos os seres criados são as páginas do livro que procuro quando quero ler a Palavra Deus”.
Que saibamos cultivar no cotidiano esta sabedoria de reconhecer a presença do Criador em todas as criaturas, pois “Tudo está interligado como se fossemos um, tudo está interligado nesta casa comum”. (Pe. Cirineu)
