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Publicado em Notícias
Postado por  Sede Geral - Isabel do Rocio 12 Julho 2021
FRANCISCLAREANDO - Sangue e Água, fonte de Vida

 

Desde tempos mui remotos, o mês de julho é dedicado ao Preciosíssimo Sangue de Jesus Cristo, que foi apresentado por João Batista como o “Cordeiro que tira o pecado do mundo” (Jo 1,29). A devoção está profundamente ligada à Eucaristia e nos remete àquela ceia em que, na véspera de sua paixão, Jesus disse: “este cálice é a nova aliança selada com meu sangue, derramado por vocês” (Mc 14,23). Sangue fecundo que, desde a cruz, misturado com água de vida, se derrama purificador sobre a terra, se derrama curador sobre a humanidade ferida, cai libertador rompendo os laços de todo cativeiro.

A Legenda de Santa Clara testemunha como ela canalizava a força curadora deste sangue vertido na cruz: “Ao amor pelo Crucificado, correspondeu o Crucificado com amor. E, assim, ela que se apaixonou pelo mistério da Cruz, é distinguida em sinais e milagres com a força da mesma Cruz. Muitas vezes, quando traçava o sinal da Cruz redentora sobre os enfermos, eles ficavam aliviados das doenças” (LSC 32).

Assim, aconteceu com o Irmão Estêvão que sofria de ataques epilépticos ... com um menino de três anos, de nome Matias vítima de uma pedrinha que tinha introduzido no nariz... um outro garoto de Perúsia ... com uma vista obstruída por uma ferida... uma das irmãs, de nome Benvinda sofria havia doze anos de um tumor debaixo de um braço ... Irmã Amada sofria há treze anos de hidropisia acompanhada de febre, tosse e dores nas costas. Uma outra serva de Cristo ... afónica durante dois anos... Irmã Cristina suportou durante muito tempo a surdez de um ouvido... “Todos estes fatos demonstram que estava no coração da virgem a árvore da Cruz, cujos frutos restauram as almas e cujas folhas oferecem medicina para o corpo” (Cf. LSC 32-35).

Francisco buscou, durante toda sua vida, conformar-se ao Cristo Crucificado. Desejava profundamente derramar seu sangue no martírio e, com esta intenção foi em missão a Marrocos, entre os sarracenos (1Cel 56). Aí não realizou seu desejo, mas Deus lhe concedeu o privilégio de ter seu corpo marcado com as mesmas chagas pelas quais Jesus verteu todo o sangue que lhe restava depois da tortura da Paixão.

Na Legenda Menor encontramos o relato: “Aproximava-se a festa da Exaltação da Santa Cruz, quando ele viu descer do alto do céu, dir-se-ia, um serafim de seis asas flamejantes ... também crucificado, mãos e pés estendidos e, atado a uma cruz. ... Após uma conversação familiar, que nunca foi revelada aos outros, desapareceu aquela visão , deixando-lhe o coração inflamado de um ardor seráfico e imprimindo-lhe na carne a semelhança externa com o Crucificado ... Logo começaram, com efeito, a aparecer em suas mãos e pés as marcas dos cravos ... O lado direito estava marcado com uma chaga vermelha, feita, dir-se-ia, por uma lança; da ferida corria abundante sangue, frequentemente. Os Irmãos encarregados de lavar suas roupas constataram com toda segurança que o servo de Deus trazia, em seu lado, bem como nas mãos e nos pés, a marca real de sua semelhança com o Crucificado (Cf. Lm 6,1-3).

O sangue de Cristo, continua encharcando a terra, na morte de tantos irmãos e irmãs cristãos/cristãs perseguidos por causa da fé em Jesus, continua fecundando a terra no sangue de camponesas e camponeses, de indígenas, de negros e pobres e de todas as pessoas que se comprometem com sua causa, nas cidades e nos campos. Que não caia em vão, mas que fecunde as sementes de vida, de justiça, que tenha a força redentora do precioso Sangue que brotou das chagas do Crucificado. E que nós também nos deixemos também marcar por ele.

Informações adicionais

  • Fonte da Notícia: Irmã Maria Fachini