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04 Maio 2026
A identidade Indígena na vida consagrada

Quando a ancestralidade Encontra o Carisma: a identidade Indígena na vida consagrada

Um encontro que gera vida

Atualmente estou morando em São Gabriel da Cachoeira / AM, o município mais indígena do Brasil, onde mais 90% da população pertencente a 23 etnias diferentes, situada na região da cabeça do cachorro fazendo fronteira com a Colômbia e a Venezuela.

Assumimos além das pastorais nas comunidades e itinerâncias, a casa de formação.

Recordo-me de uma vivência simples mais cheia de significado: certo dia veio o pai de uma das jovens que estava começando a nos conhecer, conversamos e em um certo momento ele disse: “Irmã, vocês têm aqui meninas de vários povos, todos os povos não são iguais. Posso trazer o que minha filha gosta de comer em casa? Vocês comem?”. Passou 01 ano, sua filha veio morar conosco e depois de alguns meses ele chega com um saco de fibra e percebo que algo dentro do saco estava se mexendo. Na naturalidade anunciaram que nos trouxeram um animal de casco, com gesto simples se ofereceram para cortar o animal, foram para o quintal e em seguida já nos veio com tudo pronto.

Me lembro do clima de familiaridade, das conversas, risos, e como se sentiram à vontade em casa. Partilharam conosco não apenas seus gostos, mas a sua vida; diferente do nosso primeiro encontro, ainda silencioso e cauteloso.

Cito esse fato, por quê acredito que as congregações acolhem as jovens juntamente com suas famílias, seus benzimentos, sabores e experiências, e como isso se torna importante para o processo de discernimento e vocacional.

Assim, observo que a identidade indígena feminina traz um valor especial para a vida religiosa consagrada, trago a citação de Sônia Guajajara, indígena ativista ambiental e política brasileira: “Não queremos ser integrados, queremos ser respeitados na nossa diferença.

Essa frase ecoa com força também dentro das congregações. Quando uma mulher indígena entra na vida consagrada, ela não deixa do lado de fora sua história, sua língua, seus cantos, seus gestos, sua espiritualidade enraizada na terra. Ela não precisa se moldar a ponto de apagar quem é.
O pertencimento não pode significar silenciar seus saberes, seus modos de rezar, sua relação profunda com a criação. Pelo contrário, penso que a congregação se torna plena quando sabe acolher a riqueza que essas jovens trazem, a memória ancestral, o cuidado comunitário, a força das mulheres da roça, o artesanato que contam histórias, a fé que dialoga com a floresta e com a vida.

Ser indígena e ser mulher na vida religiosa não é algo a ser superado, mas um dom a ser reconhecido. Respeitar a diferença é permitir que sua cultura não seja diluída, mas celebrada; que sua identidade não seja escondida, mas floresça como parte viva do carisma.

Partilho palavras e sentimentos de algumas jovens que fazem esse caminho conosco:

“Desde quando eu era pequena eu queria muito fazer essa experiência com as irmãs. O meu sonho era morar com as irmãs fazendo experiência. Quando eu completei 9 anos, comecei a ajudar a minha paróquia. E agora que eu estou fazendo essa experiência, eu me sinto muito bem, alegre, animada de seguir esse caminho. Jesus fez esse chamado no meu coração de seguir esse caminho, por isso agradeço a Deus e também agradeço aos meus pais que sempre apoiara.

Yanomami: Kamiyë isitomipÏ ya kuo të hë yayo mosi pouxirë totihitaonowei yoha ya kuana kamiyë ya puhimo Ïhipt topra rou isitomipÏ yanÏ parimi ya e yonosi pou koro praa xomakema.
Kuërë ya e yonosi pou yaro ya puhi toprarou nayë hayë kÏpÏnÏ kamiyë wanea payenipÏpoma”.
(Lourdes Daniele- Etnia: Yanomami)

“Eu estou gostando bastante de fazer essa nova experiência, na casa das Irmãs franciscanas. Estou aprendendo novas coisa cada dia com elas.

Yẽgatu: Ixe agustary retana amynhã kua expẽryẽcia, ike taruka yrmã francyscanas ayubueyku muyr ara taykumu.”
(Joycemara- Etnia: Baré)

“Estou gostando bastante dessa nova experiência como vocacionada das Irmãs Catequistas. É uma boa convivência, aprendemos a amar e temer a Deus através das três irmãs que nos ensinam. (Cheyla- Etnia: Desano)

Com o coração agradecido ao Deus Criador, contemplamos a riqueza da presença das jovens indígenas nas casas de formação, onde a vida se revela em profunda harmonia com a natureza.

Como nos recorda a Palavra: “A criação inteira proclama a glória de Deus” (Sl 19), e é nesse diálogo com a terra, com os rios e com a floresta que aprendemos uma espiritualidade mais sensível, simples e verdadeira.
Na sabedoria de seus povos, reconhecemos um chamado a cuidar, respeitar e viver em comunhão com toda a criação. Assim, caminhamos juntos, deixando que Deus nos eduque através da natureza e da diversidade que nos une.

Informações adicionais

  • Fonte da Notícia: Irmã Jordânia de Oliveira

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