“Travessias de esperança e o legado de Francisco para hoje”
Nos dias 14 e 18 de julho de 2026, em Fátima de São Lourenço – MT, participamos do retiro espiritual, programado pela congregação, em Fátima de São Lourenço – MT. A assessora, Irmã Elis Machado, da Congregação das Irmãs Franciscanas Bernardinas, ofereceu-nos um riquíssimo itinerário de reflexão, oração, silêncio e escuta da Palavra.
A realização do retiro, no aconchego do Recanto Terra Mãe, foi um diferencial para a experiência e vivência de cada uma de nós. O cenário estava ornamentado com muito amor pelo próprio Criador e pelo zelo da irmandade de Fátima. Em meio à área arborizada, cada irmã pôde escolher livremente um espaço para viver seus momentos de oração e contemplação. O ambiente favoreceu o recolhimento: o canto dos pássaros ao amanhecer, o suave murmúrio da água correndo por baixo da terra, a água cristalina da piscina, o verde abundante, o sol iluminando as manhãs e a brisa fresca compuseram este cenário propício para a escuta de Deus e o reencontro consigo mesma.
Outro aspecto que marcou profundamente nossa experiência foi a acolhida no Recanto Terra Mãe: hospedagem confortável, os ambientes cuidadosamente preparados, a tranquilidade do lugar; a alimentação saudável e diversificada, com alimentos cultivados no próprio local, contribuiu para que cada uma de nós pudesse viver plenamente esses dias de encontro com Deus. Tudo favoreceu para uma experiência franciscana de simplicidade, contemplação, cuidado e comunhão com a Criação.
Todas as manhãs, às 8 horas, Irmã Elis fazia uma introdução, utilizando-se também de slides, músicas, mantras e histórias em forma de testemunhos, preparando-nos assim para mergulharmos no silêncio. Cada Irmã recebia um roteiro com o tema do dia e era convidada a recolher-se no “seu lugar escolhido”, deixando-se conduzir pela ação do Espírito Santo. O silêncio tornava-se um espaço fecundo para a possibilidade do encontro com Deus no mais profundo do coração, rever o compromisso com a vocação de SER e renovar o ardor missionário de forma mais consistente.
As reflexões do retiro foram inspiradas na espiritualidade franciscana e conduzidas a partir do símbolo das portas, compreendidas como travessias na vida de cada pessoa. A cada dia, uma nova porta conduzia à oração e à meditação. No primeiro dia refletimos sobre a Porta de Perúgia – a experiência de Francisco durante o período em que esteve preso durante a guerra. A solidão, o silêncio para escutar a voz de Deus, a doença e o sofrimento libertaram Francisco de suas ambições de grandeza. A partir da experiência de Francisco, procuramos reconhecer nossas prisões interiores que prendem nossa liberdade para ouvir e acolher a voz de Deus que nos conduz à libertação. Nos dias seguintes, novas portas conduziram o itinerário espiritual, revelando que toda travessia exige coragem, confiança e abertura à ação de Deus.
Diariamente, às 16h nos reuníamos em pequenos grupos para partilhar a experiência vivida durante o tempo de oração pessoal. Esses momentos favoreceram a escuta mútua, a fraternidade e a elaboração de síntese, permitindo que cada uma de nós reconhecesse a ação de Deus na própria caminhada e na caminhada das demais irmãs.
As noites eram concluídas com um momento orante comunitário, fortalecendo ainda mais o espírito contemplativo que marcou todo o retiro.
Como preparação para o encerramento do encontro, tivemos a oportunidade de celebrar o Sacramento da Reconciliação. Dois sacerdotes da paróquia estiveram presentes durante uma tarde para atender às confissões, culminando, em seguida, com a celebração da santa Missa.
Ainda, no final do retiro, como síntese de toda a experiência vivida, Irmã Elis propôs uma dinâmica que sintetizasse o que significou o retiro para o grupo: desenhar uma porta, representando, de forma criativa e orante, a caminhada realizada ao longo desses dias.
No desenho, cada grupo procurou expressar a riqueza dos diálogos, da escuta mútua, das partilhas, da oração e das travessias interiores vividas durante o retiro. A atividade tornou-se um sinal concreto de que cada porta contemplada ao longo da semana abriu novos caminhos de encontro consigo mesma, com Deus, com as/os irmãs/ãos e com a criação.
O retiro foi concluído no final do dia 18 de julho, com a celebração da Eucaristia, destacando a mesa da Palavra e do Pão como alimento para a vida consagrada e para a missão. Celebramos também, com alegria, o dom da vida da Irmã Najila Pereira da Silva, aniversariante daquele dia, encerrando o encontro em clima de gratidão, fraternidade e festa.
Cada Irmã recebeu uma singela lembrança preparada pela assessora: uma pequena chave, porque Deus continua confiando a cada uma a missão de abrir portas. Portas que se abrem na convivência fraterna, na vida comunitária, na missão evangelizadora e em todos os lugares onde as Irmãs Catequistas Franciscanas são chamadas a testemunhar o Evangelho.
A chave veio acompanhada de um bilhete com a seguinte mensagem:
"Bata e Ele vai abrir a porta. Desapareça e Ele vai fazer você brilhar como o sol. Caia e Ele vai levantá-la para os céus. Torne-se nada e Ele vai transformá-la em tudo."
Retiro 2026 – Irmã Elis Machado, IFBB.
Assim, fortalecidas pela oração, pela Palavra, pela Eucaristia e pela fraternidade, retornamos às nossas irmandades levando consigo não apenas a lembrança de dias de profundo encontro com Deus, a exemplo de Francisco e Clara, mas também o compromisso de continuar abrindo portas de esperança, acolhida, reconciliação, amor e paz, tornando visível, em nossa vida e missão, a presença do Cristo que continua chamando, enviando e “fazendo novas todas as coisas”! (Ap 21,5).

