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08 Agosto 2026
Dia Internacional dos Povos Indígenas

 

Existem cerca de 476 milhões de indígenas, aproximadamente 6% da população mundial.

O dia Internacional dos Povos Indígenas está sendo celebrada a cada ano, no dia 09 de agosto para recordar a primeira reunião do Grupo de Trabalho da ONU sobre Populações Indígenas, realizada em 1982. Mas, a partir de 1994 a Organização das Nações Unidas (ONU) instituiu a celebração do Dia Internacional dos Povos Indígenas para reconhecer os direitos, a diversidade cultural e chamar atenção para os desafios e as violações de direitos que essas populações enfrentam diariamente.

Na primeira reunião foi relacionada para Populações Indígenas em geral, ou seja, se referia para o conjunto de indivíduos indígenas de uma determinada área geográfica, sem distinguir o pertencimento a um povo e sem especificar os grupos étnicos. Porque existem cerca de 476 milhões de indígenas, aproximadamente 6% da população mundial.

O dia não é somente para demostrar a dimensão demográfica, estudos estatísticos, censos e pesquisas populacionais. Mas, proporciona a um grande momento memorial de lutas, resistências, conquistas de um grupo humano com identidade própria e coletiva, cultura, língua, organização social com seus direitos e seus territórios ancestrais. Que, historicamente, sofreram discriminação, perda de territórios, violência e exclusão social.

O termo Povos Indígenas é utilizado desde 2007 em documentos internacionais como a Declaração da Nações Unidas sobre os Direitos dos Povos Indígenas. São direitos de um ser Indígena, que vivem em cerca de 90 países no mundo, um ser originário de um lugar, de um povo que conserva sua identidade, línguas e cultura ancestral, apesar dos processos de colonização e da formação dos Estados modernos.

Esses direitos buscam garantir à autodeterminação, às terras, territórios incluindo recursos naturais, à identidade cultural, à não discriminação, à educação, à saúde, à justiça, à proteção de patrimônio cultural e intelectual, à participação e à consulta, que deve ser livre, prévia e informada; direito ao desenvolvimento econômico, social e cultural.

Há mais de 5 mil povos indígenas no mundo, com culturas, tradições e idiomas diferentes, embora sejam diferentes entre si. Muitos enfrentam desafios semelhantes como perda de seus territórios ancestrais, a preservação de suas línguas, o acesso à educação, à saúde e a proteção de seus direitos humanos, desigualdades sociais. O que afeta muito para povos em geral são as mudanças climáticas, porque os Povos Indígenas, a crise climática não representa apenas um problema ambiental, ela é também uma crise espiritual, cultural e humana, pois ameaça o território, que é fonte de identidade, memória, conhecimento e vida. Quando a natureza sofre, toda a comunidade sofre, pois a espiritualidade, a vitalidade da vida e a cosmovisão estão profundamente conectadas ao equilíbrio da criação.

Como para aos povos Indígenas Inuítes que habitam as regiões árticas do Canadá, Groenlândia e Alasca a maior ameaça é o aquecimento global, que transforma rapidamente o ambiente do Ártico e compromete com o modo de vida, pois, sua cultura está profundamente ligada ao gelo, ao mar e à fauna do Ártico. Somam-se a isso a exploração dos recursos naturais, a erosão das comunidades costeiras e os desafios sociais.

Sámi, são o povo indígena do norte da Noruega, Suécia, Finlândia e da Península de Kola, na Rússia. Também sua cultura está profundamente ligada ao Ártico, especialmente à criação tradicional de renas, à pesca, à caça e ao uso sustentável da natureza. A maior ameaça é a exploração econômica de seus territórios, que coloca em risco sua cultura, sua economia tradicional e sua relação espiritual com a natureza.

Os povos indígenas da Oceania, como os Aborígenes e os Povos das Ilhas do Estreito de Torres (Austrália), os Māori (Nova Zelândia) e diversos povos das ilhas do Pacífico, enfrentam desafios a proteção de seus direitos e a valorização de seus conhecimentos tradicionais.

De igual modo os povos indígenas da Ásia enfrentam diversos desafios que colocam em risco seus territórios que compromete sua sobrevivência física, cultural e espiritual. Muitos povos indígenas ainda não têm seus direitos territoriais ou sua identidade reconhecida pelos governos, dificultando a proteção de suas comunidades. Como Ainu no Japão, Karen em Tailândia, Dayak na Indonésia e outros povos na Filipinas.

As realidades mais ameaçadas dos povos indígenas da África estão relacionadas principalmente à perda de seus territórios, à discriminação e às dificuldades para manter seus modos de vida tradicionais. O que desencadeia outros problemas, como pobreza, discriminação, insegurança alimentar, perda cultural e dificuldades para exercer seus direitos.

Os Maias são um dos maiores povos indígenas das Américas e vivem principalmente na Guatemala, no sul do México, em Belize e  parte de Honduras e El Salvador. A principal ameaça aos povos Maias é a combinação entre a perda dos territórios, a discriminação e a pobreza, fatores que colocam em risco sua cultura, suas línguas e seu modo de vida. Ao mesmo tempo, as Comunidades Maias continuam fortalecendo sua identidade, preservando seus conhecimentos ancestrais, defendendo seus direitos e contribuindo para a proteção da natureza e da diversidade cultural.

O Brasil abriga mais de 300 povos indígenas, que falam mais de 270 línguas e possuem grande diversidade cultural. Apesar de seus direitos serem reconhecidos pela Constituição Federal de 1988, muitos povos ainda enfrentam graves ameaças, a pressão sobre seus territórios, causada por invasões, garimpo ilegal, desmatamento e conflitos fundiários. Esses fatores afetam sua sobrevivência física, cultural e espiritual. Garantir a demarcação e a proteção das terras indígenas, fortalecer o acesso à saúde e à educação intercultural e combater a exploração ilegal dos recursos naturais são medidas essenciais para assegurar seus direitos e preservar a diversidade cultural e ambiental do país.

Da mesma maneira outros povos não mencionados aqui também sofrem com reconhecimento insuficiente e violação dos direitos, exploração ilegal dos recursos naturais, perda de tradições culturais, discriminação, exclusão social, violência com perseguições constante, perda de seus territórios ancestrais e impacto sociais.

A defesa dos Povos Indígenas depende muito do respeito aos seus direitos humanos, territoriais, culturais e econômicos. Proteger suas terras, fortalecer suas culturas, garantir sua participação nas decisões e valorizar seus conhecimentos tradicionais são passos essenciais para construir uma sociedade mais justa, diversa e sustentável. O respeito aos povos indígenas não beneficia apenas essas comunidades, mas contribui para a preservação da natureza e do patrimônio cultural de toda a humanidade.

Informações adicionais

  • Fonte da Notícia: Irmã Juciele Aguiar Moura

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