A exortação de Frei Polycarpo... ganha hoje maior amplitude: Sejam irmãs dos Povos! Sejam irmãs de toda Criação!
Frei Polycarpo nasceu na Alemanha, no ano de 1873, e ingressou na Ordem dos Frades Menores aos 18 anos de idade. Desde cedo abriu seu coração para o novo, chegando ao Brasil no dia 23 de maio de 1889, ainda como estudante, com apenas 24 anos de idade. A Igreja Católica do Brasil estava vivendo o processo de “romanização”, que se fortaleceu após a proclamação da República, com a separação Igreja e Estado. Os missionários passaram a ser enviados através do Vaticano, não mais pelo governo português.
O sonho missionário e o desejo de aprender a língua e os costumes do povo levaram Frei Polycarpo a morar em diversos estados do Brasil, onde abriu novas frentes de missão. Em Pernambuco, atuou junto ao povo indígena e, em Santa Catarina, desbravou caminhos novos para a educação e catequese, incluindo mulheres neste serviço. Foi com esse espírito inovador que contribuiu no surgimento da Congregação das Irmãs Catequistas Franciscanas. Morreu no dia 22 de agosto de 1939, em União da Vitória/PR, com apenas 66 anos, vítima de um assalto (cf. NEOTTI, Augusta. Nos trilhos da história, p. 26-27).
Sejam irmãs do Povo...
Esse imperativo marcou a identidade da Congregação e nos fez avançar para novos campos missionários, num esforço contínuo de acolher cada povo com sua cultura. Hoje, a memória de Frei Polycarpo, homem que procurou viver corajosamente o compromisso de ser irmão do Povo, continua viva e nos impulsiona, como Congregação, a dar respostas à frente do nosso tempo, buscando ser Irmãs do Povo e dos Povos. Acompanhemos alguns testemunhos deste compromisso hoje.
Ser irmã do Povo é estar com o povo! É ser simples, também no vestir... É ser delicada, respeitosa, próxima, agradável, simpática com todos. Sentir e celebrar a dor do povo e também as alegrias e conquistas... (Irmã Sebastiana José de Oliveira)
Ser irmã do povo e dos povos, hoje, é continuar repartindo o pão com os pequeninos: o pão do amor, do cuidado, da fé, da perseverança e da ousadia profética. É ter a coragem de anunciar a Boa Nova e denunciar tudo o que ameaça a vida. É cuidar da vida em todas as suas formas, cuidar do ser humano e de nossa Mãe Terra, nossa Casa Comum. É caminhar ao lado dos mais vulneráveis, mantendo viva a esperança e acreditando que outro mundo é possível, sustentado pela justiça, pela fraternidade e pela paz (Irmã Maria Adinete Azevedo).
A memória de Frei Polycarpo - e sua fidelidade ao caminho de Francisco de Assis - nos convida, hoje, à fraternidade cósmica: irmãs de toda a Criação. Nos inspira, também, à amizade com todos os povos, no respeito pela diversidade de culturas que tecem a trama da Vida (Moema Miranda – Simpatizante do carisma e Assessora da Congregação).
Ser irmã do povo é estar sempre atenta à revelação de Deus, encarnada na realidade em que estou inserida, e testemunhar Jesus Cristo pobre e ressuscitado, no meio das pessoas, inserida na vida do povo e na diversidade cultural que nos constitui. Para mim, ser irmã do povo é abrir-me para conhecer essa cultura, respeitar o que é sagrado para eles, acolher seus dons, seus saberes e seus sabores, sem perder de vista a minha própria identidade.
O convívio com o povo é, para mim, o lugar por excelência de minha formação e crescimento integral. Por isso, destaco a importância da participação ativa na vida comunitária com o povo: nas celebrações eucarísticas, nas visitas às famílias e nos encontros formativos entre o povo, religiosos e a irmandade. São os sorrisos, os pequenos gestos que marcam a vida (Irmã Puri Mafikene Marlene).
Es reconocerme parte del pueblo. Saber que, aunque la identidad cultural es diversa, históricamente nos une un acontecimiento sociopolítico y religioso que afectó la vida de nuestros pueblos en estos territorios. Por ello, las luchas por justicia y paz también hacen resurgir en el corazón el deseo de seguir abrazando el proyecto de Jesús de Nazaret: Reino de Dios, en medio del caos. Las luchas son abrazadas con la propia identidad cultural y cristiana, que también desafía. Es estar abierta a la escucha respetuosa y agradecida de las diferentes espiritualidades que son herencias milenarias, acoger con reverencia la mística dentro de cada una. Es caminar en comunidad con y junto al pueblo (Hermana Gabriela Lourdes Noj Nij).
A exortação de Frei Polycarpo não só continua viva e urgente, mas ganha hoje maior amplitude: sejam irmãs dos Povos! Sejam irmãs de toda a Criação!

