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24 Agosto 2026
NA DANÇA DO CARISMA - Irmãs Catequistas Franciscanas: uma vocação missionária


O coração escuta e os
pés vão ao encontro

Motivada/os por este mês vocacional que reacende dentro de cada um/a de nós o chamado ao seguimento de Jesus, bailemos neste ritmo, revisitando nossa Vocação Missionária.

Desde o início, as irmãs Catequistas, mulheres, jovens camponesas, decidem sair de seu tão acostumado cotidiano para aventurarem-se ao inseguro, ao incerto e não costumeiro itinerário. Em nome da fé rompem com os parâmetros eclesiais e sociais estabelecidos e aceitam o desafio de serem missionárias nas nazarés próximas ou mais distantes, em busca dos pequeninos que “pediram pão e não haviam quem o distribuíssem” (Lm4,4).

A/o missionária/o é alguém que, na sua pátria, perto ou longe dela, ouve os gritos, os clamores dos empobrecidos, explorados, excluídos, sofredores, intiçados; abre bem o coração compadecido, se aproxima, permanece, sente as mesmas dores e junto busca respostas, caminhos, saídas. É um caminho pessoal mas também, necessariamente coletivo. A irmandade/comunidade faz parte do envio, faz parte da própria resposta aos gritos. Existe uma unidade intrínseca entre o ser irmã, ser simpatizante e a missão. Trata-se de um modo de ser, relacionar, conviver, denunciar e anunciar através da vida.[i]

A ação missionária é constante. Não tem tempo para terminar o dom da esperança que marca nossa vocação. É ao mesmo tempo histórica e escatológica, está sempre incompleta, lutando contra os poderes de morte,[ii] para que todos tenham vida e muita vida (Jo 10,10). Por ser histórica, mudam os contextos, muda-se as estratégias mas fica o apelo fundante: responder aos clamores que mudam conforme o tempo e o espaço, mas continuam a nos interpelar e a recomeçar sempre.

Se revisitarmos cada “saída” da congregação para um novo espaço de missão, é impressionante como os gritos e as respostas se parecem sendo motivos de retomada às origens. Não se ignora os limites e pecados cometidos. Mas, há de se reconhecer que mesmo nas fragilidades a missionariedade se fez e se faz. De Santa Catarina à Mato Grosso, ao nordeste e norte; de Argentina, Paraguai à Angola, Moçambique; de Paraguai, Bolívia, Peru, Chile à Republica Dominicana, Guatemala; desde os interiores às periferias urbanas; das organizações sociais populares às casas de cuidado; os gritos chegam levados pelo sopro do Espírito, o coração escuta e os pés vão ao encontro.

O Carisma da irmã catequista Franciscana é missionário. É ir lá onde os clamores só são ouvidos na proximidade, “no estar com”, lá onde se respira o mesmo ar e se sente o mesmo cheiro. Por isso é missionário, porque segue o itinerário do mestre Jesus: um Deus que não se sobrepõe, se encarna, não desiste, insiste; não condena, liberta; não exclui, acolhe!

Sandálias Caminhantes vão... são mãos de Cristo abraçando a paixão, rosto de Cristo acolhendo o irmão[iii]! Hoje como ontem; cá ou lá; em becos ou avenidas; com todos e todas que sonham um mundo melhor, continuemos. Continuemos porque a vocação missionária é para sempre. Ela enfrenta os El Ñinos da vida mas não desiste de caminhar. Se refaz, se reinventa, se reorganiza e retoma o caminho na convicção de que O Deus que nos criou, nos quis, nos consagrou, para anunciar o seu amor (Zé Vicente). Continuemos pois, nesta missionariedade dançante, junto aos nossos interlocutores prioritários[iv] sonhando um mundo mais irmanado.

 

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[i] Alimentando as linhas, pág. 5, outubro de 2010- elaborado em mutirão por: Amália Cristofolini, Lucelene M. de Vasconcelos, Maria Aparecida Furlani e Ana Macedo.

[ii] Ibidem pg 6

[iii] Música feita na celebração do centenário da congregação “Louvação pelas Sandálias Caminhantes” de autoria do simpatizante Adilsom José Francisco. Música que expressa com profundidade este ser missionário do nosso carisma.

[iv] Os pobres: mulheres, Juventudes, crianças e adolescentes, povos originários e comunidades tradicionais, migrantes e imigrantes, irmã e mãe terra.

Informações adicionais

  • Fonte da Notícia: Irmã Carmelita Zanella, CICAF