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27 Agosto 2026
Cada um, cada uma de Nós Compõe a sua História

 

“Sinto-me comprometida ao fazer parte da ação franciscana de acolher, cuidar e defender...” 

Celebramos no dia 28 de agosto o Dia Nacional do Voluntariado e no 19 de agosto o Dia Nacional da Luta da População em Situação de Rua, contemplando histórias, memórias e sonhos.

Queremos com alegria expressar, compartilhar e renovar, nossos gestos de humanidade que constrói diariamente, pontes, fortalecem espiritualidades e semeiam esperança.

Transcrevo aqui depoimentos que podem ilustrar o que vivenciamos no Projeto Chá do Padre - Sefras, em São Paulo. Neste projeto fui voluntária e vivenciei abençoados momentos de alegrias, acolhida do diferente, convivência, trabalho, companheirismo... desafios, e muito aprendizado...!

Senti a presença amorosa de Deus em cada pessoa em situação de rua, nas equipes de trabalho e coordenação. Foi um tempo curto e agraciado de 6 meses, pois precisei fazer uma pausa por conta do tratamento da saúde, que está indo muito bem. “Cada uma de nós compõe a sua história e carrega em si o dom de ser capaz de ser feliz...”

Com entusiasmo, assim se expressa a voluntária Aparecida do Padro Rodrigues – Graças ao convite de minha filha que no seu trabalho recebia doação de comida para entregar as pessoas em situação de rua, tive a oportunidade de acompanhar esta entrega aos mais necessitados, acolhê-los, servi-los, escutá-los.

Alguns partilhavam sonhos, esperanças, realizações e conquistas, outros buscando o sentido da vida, pois em seu coração só tinha desanimo, depressão, angústia, sem esperança.... Na verdade, senti que faltou quem desse atenção, cuidado, escuta, compreensão, permanecendo assim no sofrimento.

Esta realidade me levou a um olhar diferente a situação do outro/a. Algumas vezes cansada, sem condições me disponibilizava ir ao Chá do Padre, porque é um espaço prazeroso de entrega, ajuda, responsabilidade e compromisso dos trabalhadores, voluntários, uma convivência de alegria, aprendizado nas diferentes atividades.

Estar neste espaço reforçou minhas orações para não desanimar, e sim ter força de rezar e levantar todos os dias com confiança e saúde. Agradeço a Deus pelas pessoas que ele colocou no meu caminho.”

Eliane Peres, muito animada assim se expressa: “O termo moradores de rua já não se aplica mais. São pessoas em situação de rua, invisíveis pela maioria da sociedade.

São os excluídos, aqueles dos quais as pessoas desviam o olhar. O cuidado, o acolhimento e a defesa de seus interesses estão, de maneira geral, a cargo de organizações humanitárias e de cunho filantrópico.

As políticas públicas existentes são deficientes e não apresentam nenhuma solução plausível para esta população, cada dia mais empobrecida e vulnerável. Falta moradia, saúde, educação, enfim, falta oportunidades para a inclusão das pessoas, à sociedade.

Destaco a educação como sendo um dos meios para a erradicação da pobreza e da marginalização e redução das desigualdades sociais. Além disso, a educação é um dos meios necessários à efetivação do princípio da dignidade da pessoa humana, sendo que, através dela, o indivíduo se considera pertencente a um grupo, aumentando suas chances de reinserção no mercado de trabalho e luta pelos benefícios aos quais faz jus.

Por isso a importância das organizações que prestam serviços e acolhimento devem ir além da assistência. É fundamental buscar parcerias e o comprometimento do poder público fortalecendo uma rede de cuidados que garanta direitos, dignidade e oportunidades. A fraternidade não pode se limitar a ações pontuais para a construção de caminhos permanentes de inclusão e transformação social. Acredito que baseados no Evangelho de Jesus Cristo, o amor ao próximo é ELE, o mestre, o nosso modelo.

Há três anos, quando cheguei no Chá do Padre, achei que estava dando algumas horas semanais do meu tempo às atividades de voluntariada no Sefras. Mas aos poucos fui percebendo ser eu a maior beneficiada.

A convivência com funcionários, voluntários e os frades franciscanos em trabalho junto as pessoas mais vulneráveis, contribuíram para eu me tornar uma pessoa melhor.

Me sinto agraciada por esta oportunidade de estar e poder ajudar tantas pessoas em situação de invisibilidade. Afinal, acolher é também reconhecer no outro a presença de Deus e compreender que ninguém deve caminhar sozinho, sozinha.”

Sueli Soares dos Santos Batista, muito alegre expressa – “O voluntariar no Chá do Padre é um exercício constante de ampliar a visão que temos da sociedade e das pessoas, sejam elas em situação de rua ou outras vulnerabilidades. Nos possibilita reconhecer e encontrar a nossa humanidade na humanidade do outro/a que sofre.

Ali encontramos muitas diferenças, mas todos/as nos unimos num mesmo caminho e propósito: fazer o bem dentro dos limites de cada um, sem cobranças e julgamentos.

Começamos as atividades com aquela expectativa de sermos úteis e de sentirmos nossos corações mais apaziguados quanto à dor de nossos irmãos e irmãs que antes apenas contemplávamos pelas ruas da cidade, sem nada fazer.

Sinto-me comprometida ao fazer parte da ação franciscana de acolher, cuidar e defender. Mas ao mesmo tempo, somos acolhidos, cuidados, defendidos e atentos as nossas fragilidades que não são poucas. O serviço nos ajuda a sentir as fragilidades das pessoas em situação de rua e outras situações que necessitam fortalecer sua autonomia individual para um efetivo retorno à vida em comunidade, para que se sintam acolhidas e respeitadas, enfrentando, assim, os fatores que desencadearam sua ida para as ruas

A fraternidade não é só poder participar do auxílio fraterno, mas de também sentir que a fraternidade nos abraça sem perguntas. É presença, cuidado, escuta e amor que se transforma em gesto concreto.

O alimento que é distribuído e que também nos alimenta tem a mesma origem, cuidado e preparo. Servir é uma forma de amar, e que, quando colocamos nossos dons a serviço da vida também nos transformamos a aprendermos a olhar para além das necessidades materiais, percebendo histórias, dores, esperanças e sonhos, isso nos impulsiona a construir juntos um mundo mais justo e cheio de esperança.

Sem discursos nem destaques, silenciosamente, nos sentimos aconchegadas/os pelo abraço amoroso de São Francisco de Assis e Santa Clara.

Diante das partilhas realizadas a partir da experiencia de cada um, cada uma e inspiradas pelo Evangelho e pela Doutrina Social da Igreja, neste mês vocacional, somos chamados a reconhecer em cada pessoa em situação de rua, um irmão e uma irmã, com dignidade inviolável.

Mais do que oferecer ajuda material, somos convidados a promover acolhida, escuta, solidariedade e defesa de seus direitos.

Como nos recorda Jesus: "Pois eu estava com fome, e vocês me deram de comer; eu estava com sede, e me deram de beber; eu era estrangeiro, e me acolheram." (Mateus 25,35)

Que esta data fortaleça nosso compromisso com a construção de uma sociedade mais justa, fraterna e inclusiva, onde ninguém seja invisível e toda pessoa tenha a oportunidade de viver com dignidade.

Informações adicionais

  • Fonte da Notícia: Irmã Darlene Francisca Lima