“Se for obra de Deus, a Companhia continuará!”
No dia 08 de setembro, celebramos a memória de Irmã Clemência Beninca, mulher marcada por uma bondade extraordinária. Pertencente à Congregação das Irmãs da Divina Providência, foi presença expressiva em nossa congregação desde o início.
Frei Policarpo designou a ela a missão de formar as Catequistas. Logo que Amábile manifestou o desejo de colaborar como professora na escola de Aquidabã, hoje, Apiúna, as irmãs da Divina Providência a acolheram no convento Menino Deus, onde ela permaneceu por dois meses, preparando-se, antes de se dirigir à sua nova missão. No ano seguinte, Maria Avosani e Liduína Venturi também foram acolhidas no convento, onde permaneceram por seis meses, recebendo orientações para a nova missão a ser assumida na comunidade de São Virgílio.
Com a fundação da “Companhia das Catequistas”, frei Policarpo solicitou às superioras da irmã Clemência consentimento para que ela assumisse a orientação das “Catequistas”, e ela o fez com carinho, desvelo, firmeza e eficiência por dezesseis anos. Irmã Clemência foi mãe, conselheira, protetora da Companhia.
Fato marcante e que manifesta quão grande era sua fé e confiança na ação de Deus, foi a defesa que fez da Companhia na presença do Provincial dos Franciscanos, no ano de 1926. Assim narra irmã Augusta Neotti no livro Nos Trilhos da História (págs. 39 e 40):
“O sucessor do frei Polycarpo não entendeu bem a obra por estar fora das estruturas da Vida Religiosa e não lhe deu muito crédito (...) Frei Bruno Linden, que preocupado com o futuro da associação, muito zeloso com as normas da Igreja e não querendo fazer nada que comprometesse, recorreu aos seus superiores.
O Padre Provincial veio do Rio de Janeiro a Rodeio. Chamou Irmã Clemência e pediu que dissolvesse a Companhia. Diante dessa ordem, ela, iluminada pelo Espírito Santo, falou ao Provincial com toda a compenetração: ‘Se for obra de Deus, a Companhia continuará. Se for obra humana, acabará por si. As três primeiras ainda estão lá e firmes’. Esta frase dita com tanta convicção, foi o suficiente para que o Provincial e Frei Bruno Linden mudassem de mentalidade e passassem a acreditar e a olhar a Companhia com benevolência.
Como é lindo e consolador contemplar nossa congregação e sua história “emprestando os olhos” de Irmã Clemência! E somos convidadas a esse olhar sobretudo nesse tempo de travessias que vivemos, quando a insignificância, a insegurança, a pequenez, as incertezas, a fragilidade, as despedidas, as ausências... podem causar desânimo, impaciência, insegurança, dúvidas, questionamentos, medo, desconfiança... em cada uma de nós.
Esse tempo de travessias nos remonta ao caos sobre o qual a Ruah Divina pairava e a partir do qual tudo foi feito. E Deus viu a sua obra! E sim, foi em um tempo de caos que Irmã Clemência afirmou com toda convicção: “Se for obra de Deus, a Companhia continuará!” E continuou! E continua! E nesses 111 anos de história, cremos que Deus continua soprando sobre nós, nos moldando, nos refazendo de diferentes maneiras, com diferentes coloridos, em diferentes ritmos, em diferentes tempos, com diferentes passos, em diferentes tons.
A certeza de que a Companhia é obra de Deus, e que Ele, em sua bondade, cordialidade, amorosidade, continua sua obra, nos dá a força, a confiança, a resiliência, a abertura necessárias para recomeçar, nascer de novo! Nos dá disposição para “desaprender, aprender e reaprender”, confiantes de que algo novo está germinando. Nos dá capacidade para escutar, dialogar e disposição para erguer a cabeça e ver além, encontrar as frestas e contemplar o surgimento do novo.
“Faça-se em nós!” Em seu fazer, Deus não apenas criou o mundo no início dos tempos. Não apenas agiu na congregação em seus começos. Sua ação criadora continua viva hoje, transformando nossos caos em novos começos. Movidas por essa certeza, inspiradas na convicção de Irmã Clemência e, em sua memória, renovamos a confiança no Deus que faz novas todas as coisas.
Irmã Clemência, intercede a Deus por nós! Que, como as três primeiras, sejamos fiéis, permanecendo no caminho da vivência do carisma que recebemos como graça e dom!

