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17 Outubro 2026
Força da Esperança e a Construção do Amanhã: Uma Reflexão Franciscana sobre a Política e o Amor

 

Em Prol da Democracia, Justiça Social e Fraternidade

Há encontros que ultrapassam as telas e alcançam o coração. Encontros em que diferentes vozes se entrelaçam, diferentes caminhos se cruzam e um mesmo sonho nos reúne: a construção de um mundo mais fraterno, justo e humano. Foi nesse horizonte de esperança que, na noite de 16 de outubro, mais de 260 pessoas se encontraram para partilhar reflexões, renovar compromissos e reafirmar que a política, quando colocada a serviço da vida, pode ser também expressão de amor, cuidado e fraternidade.

Inspiradas pelo carisma de Francisco e Clara de Assis, irmãs e irmãos da Família Franciscana, juntamente com leigas, leigos, jovens e pessoas comprometidas com a justiça social e a democracia, uniram seus corações em torno de uma certeza: a esperança não é uma espera passiva, mas uma força que nos move, nos inquieta e nos convoca à ação. Em tempos de divisões e de corações endurecidos, reunir-se para dialogar, escutar e sonhar coletivamente torna-se um gesto de resistência, coragem e amor ao povo.

Acolhido por Vitor Paiva, da Ordem Franciscana Secular (OFS), o encontro começou com a apresentação dos participantes, revelando a riqueza de uma família plural, tecida por diferentes experiências, vocações e formas de servir. Estavam presentes representantes da OFS, das Irmãs Catequistas Franciscanas, do Sinfrajupe, da JUFRA, da OFM, da OFMCap e de diversas congregações, institutos e movimentos, unidos pelo desejo de contribuir para a construção de uma sociedade mais justa, solidária e democrática.

O encontro, com participação de mais de 260 pessoas, foi guiado por Gabriela Consolaro (OFS) e Frei Lorrane (OFM) que após ressaltar a opção pelos pobres feita por Francisco de Assis, convidaram Juliana Caroline (OFS) e Irmã Fátima Lessa (IFPCC) para conduzir um momento de mística, trazendo luzes do Manifesto da JUFRA e o Art. 15º da Regra da OFS, após, irmã Fátima declamou um poema de transformação da vida como espaço de partilha.

Entre os convidados estavam Dom Evaristo Pascoal, Geraldo Alckmin, Gilberto Carvalho, Moema Miranda (OFS), Frei Luís Carlos Susin (OFMCap), Alice Maria Marques e Eduardo Brasileiro.

Dom Evaristo Pascoal Spengler destacou a situação dos povos indígenas de Roraima, citou o parágrafo 194 da Fratelli Tutti, escrita pelo Papa Francisco e reafirmou que “Na política há lugar para amar com ternura”.

Em seguida, Geraldo Alckmin, filho de um integrante da OFS, saudou com Paz e Bem as irmãs e irmãos presentes. Ressaltou que possui uma proximidade com a espiritualidade de São Francisco e citou avanços ambientais e econômicos do país nos últimos 4 anos.

Já Gilberto Carvalho ressaltou que temos um projeto de construção de uma nova sociedade, baseada na luta de classes. Destacou que diante da luta, da resistência e da manifestação da juventude, e compreender que a figura de um lado, representa uma grande força com um projeto histórico, cultural e social contínuo para o Brasil. Nesse 2º turno, a juventude e a movimentação nas redes sociais digitais têm contribuído para a ascensão e despertar da sociedade. A ação nas periferias é de extrema necessidade, especialmente onde houve abstenção. O processo será muito apertado e será fruto da nossa movimentação nesses dias antes da eleição.

Em seguida, Moema Miranda (OFS) comentou que está havendo um “amor ao ódio”. Precisamos responder e agir de forma profunda. Estamos vivendo o tempo em que o segundo Messias entra na história por meio da juventude. Estamos lutando por todas e todos nós, passado e futuro.

​Ela afirma que “em momentos decisivos para o futuro de uma nação, o discernimento político deixa de ser apenas uma escolha eleitoral e passa a ser uma expressão de fé, compromisso ético e responsabilidade social. Inspirados pelos ensinamentos da vida leiga e pela espiritualidade franciscana, somos convocados a refletir sobre a importância de colocar a fraternidade, a justiça e a democracia no centro de nossas decisões.”

​Outra fala de destaque foi “há momentos na história em que a mobilização social nos surpreende pela força e pela união. Quando olhamos para a capacidade de articulação em prol da democracia e da justiça social — reunindo diferentes lideranças, jovens, leigos e comunidades —, percebemos que a construção de um projeto coletivo é, antes de tudo, um ato de amor e coragem.”

​Como Família Franciscana contemporânea, temos que “dar uma resposta concreta ao cenário de divisões e endurecimento dos corações. Em meio a discursos de ódio e desesperança, a verdadeira vocação leiga é responder com a promoção da paz, da empatia e da dignidade humana.”

Francisco e Clara, após 800 anos, afirmam que “​A fraternidade nos ensina que o amor não é isolado; ele se multiplica à medida que é compartilhado. A busca por um mundo mais justo exige perseverança e a certeza de que a alegria e a solidariedade são forças genuinamente revolucionárias.”

Frei Luís Carlos Susin (OFMCap) destacou que o bem comum e o bem do povo está em primeiro lugar para os franciscanos e franciscanas. Recordou que a CNBB motivou para que cada pessoa possa pesquisar quem são os candidatos de forma criteriosa. Ele ressalta que políticas públicas são essenciais para ninguém ficar para trás. Ela ressalta que “diante de eleitores indecisos ou confusos, a postura adequada deve ser de empatia e diálogo, e não de confronto. O acolhimento é essencial para a construção do entendimento.”

Alice Maria Marques, do Coletivo Fé e Democracia, que surgiu após o resultado do 1º turno, elencou algumas questões práticas para esse momento decisivo. O seu público nas redes sociais já se identifica com você, nesse momento, você deve falar, mostrar o seu rosto. O foco deve ser quem teve abstenção: mapear quem são, colocar legenda nos vídeos, publicar em colaboração e motivar em outras redes que as pessoas possam curtir, comentar, compartilhar. O status no WhatsApp, o story no Instagram e no Facebook são fundamentais.

Eduardo Brasileiro destacou que a defesa da democracia é necessária, comentou brevemente sobre as estratégias de cada semana após o 1º turno e informou que temos 08 dias. “Temos que mostrar movimento, sair com adesivos, ir para a rua, conversar no dia a dia, é preciso defendermos a democracia”. ​Por fim, o católico afirmou que “fizemos muito na defesa da democracia até agora, mas ainda é pouco perto da grande defesa que temos que fazer dos nossos direitos. Inspirados por Francisco, por Clara e por essa linda igreja e popular da latino-americana, temos defender nossa democracia e ficar de pé, abertos para essa nova fase”. Após, indicou alguns sites de análise.

Ao final da live, a moderação agradeceu a iniciativa de leigos e leigas independentes da OFS, JUFRA e Sinfrajupe. E destacou que a iniciativa não foi institucional, mas individual.

Informações adicionais

  • Fonte da Notícia: Irmã Fabiula Souza da Silva, CICAF e Rômulo Ferreira, OFS