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07 Novembro 2026
FRANCISCLAREANDO - Sede Santos


Que não nos desviemos nunca pelos atalhos mais fáceis que o mundo nos aponta.

Mês de novembro mês de temas profundos, essenciais, fundamentais. Começa a lista, a celebração do Dia de Todos os Santos, com o básico tema da santidade.

As bem-aventuranças, evangelho deste dia, são setas que sinalizam a santidade: a pobreza de Jesus e de sua Santíssima Mãe; a aflição suportada em paz; a mansidão, a submissão a toda criatura humana, como atitude missionária segundo Francisco; a fome e sede de justiça, respeito ao direito de todas as criaturas, ao direito do planeta; a misericórdia como agir de Deus, que passa nossa miséria por seu coração e envia seu Filho para nos resgatar. 

A pureza de coração como a pureza da Irmã água, gera confiança e vida; a paz que Francisco reconhece como revelação de Deus que deve ser transmitida, como desejo de perdão e de reconciliação, fruto do espírito de misericórdia: “Como saudação, o Senhor me revelou que disséssemos: O Senhor te dê a paz” (Test 23). A paz de que nosso mundo tem tanta urgência. A bem-aventurança de acolher em paz também a perseguição e injúria por causa da Justiça que tem como prêmio a plena vida no Reino. “Louvado sejas, meu Senhor, por aqueles que perdoam pelo teu amor, e suportam enfermidade e tribulação. Bem-aventurados aqueles que as suportarem em paz porque por ti, Altíssimo, serão coroados”, celebra o Cântico do Irmão Sol (Cnt 10s)

O Dia de Todos os Santos é seguido do Dia de Finados, daqueles que já passaram pela porta da morte para penetrar no Reino da plena santidade. Dia em que celebramos a memória daqueles que já passaram à condição de peregrinos, aqueles que nossa fé nos diz que “lavaram suas vestes no sangue do Cordeiro”, já mergulharam na Fonte da Santidade e contemplam face a face o Altíssimo, onipotente e bom Senhor.

Clara e Francisco são luzeiros no viver em misericórdia: “Como eu estivesse em pecados, parecia-me sobremaneira amargo ver leprosos. O próprio Senhor me conduziu entre eles, e fiz misericórdia com eles”, declara Francisco em seu testamento (Test 3). A misericórdia para ele não é só um sentimento, é ação, é vivência cotidiana. De Clara se diz na Legenda Versificada: “Lembrava e punha em prática a palavra do Apóstolo, que a piedade valia para tudo quando ajuda os enfermos, quando carrega os pesos, e quando tem misericórdia dos pobres, quando levanta os caídos, e a todos assiste, fazendo-se tudo para todos” (2LV 29). 

Ambos reagiram com mansidão quando ameaçados e perseguidos, quando abraçaram a pobreza. Diz a Legenda: “Mal voou a seus familiares a notícia ... Juntaram-se e correram ao lugar para tentar conseguir o impossível. Recorreram à violência impetuosa, ao veneno dos conselhos, ao agrado das promessas, querendo convencê-la a sair dessa baixeza, indigna de sua linhagem e sem precedentes na região. Mas ela segurou as toalhas do altar e mostrou a cabeça tonsurada, garantindo que jamais poderiam afastá-la do serviço de Cristo” (LSC 9, 1b-3).

Com Francisco não foi diferente: “Tendo-visto, todos os que o conheceram, confrontando as novas circunstâncias com as antigas, começaram a insultá-lo miseravelmente, chamando-o de louco e demente, lhe atiram contra ele pedras e lama das praças. Mas, como a paciência vale mais que a arrogância, o servo de Deus se fazia surdo a tudo isso e, sem se ofender ou abater, dava graças a Deus por todas as coisas” (1Cel 11,2.4). 

Jesus proclama felizes os pobres... “o bem-aventurado pai desprezou as míseras riquezas dos filhos dos homens e, ambicionando a mais alta glória, cobiça a pobreza com todo o seu coração.  Vendo que era amiga íntima do Filho de Deus e agora expulsa em todo o mundo, e, quis desposá-la com um amor eterno. Por isso, feito amante de sua beleza e querendo unir-se mais estreitamente a sua esposa... Abraçou-a por isso em ternos abraços e não quis deixar de ser seu esposo nem por uma hora” (2Cel 55, 1-4).

Não menos fervorosa amante da pobreza foi Clara. Seu testamento é contundente: “Repetidas vezes fizemos nossa entrega voluntária à nossa santíssima Senhora Pobreza, para que, depois de minha morte, as irmãs que estão e as que vierem não possam de maneira alguma afastar-se dela. E como sempre fui cuidadosa e solícita em observar a santa pobreza que prometemos ao Senhor e ao nosso bem-aventurado pai Francisco, e em fazer que fosse observada pelas outras, assim sejam obrigadas até o fim aquelas que vão me suceder no ofício a observar e fazer observar sua santa pobreza, com o auxílio de Deus. 

Para maior segurança, tive a preocupação de conseguir do senhor Papa Inocêncio, em cujo tempo começamos, e dos seus outros sucessores, que corroborassem com os seus privilégios a nossa profissão da santíssima pobreza, que prometemos ao Senhor e ao nosso bem-aventurado pai, para que em tempo algum nos afastássemos dela de maneira alguma (TestC 39-43).

Clara, Francisco, acompanhem nossos passos. Que não percamos de vista os sinais das bem-aventuranças. Que não nos desviemos nunca pelos atalhos mais fáceis que o mundo nos aponta. Que sejamos fiéis ouvintes e praticantes da Palavra como vocês o foram e como nos ensinaram. Roguem sempre por nós. 

Informações adicionais

  • Fonte da Notícia: Irmã Maria Fachini - Catequista Franciscana