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Publicado em Notícias
Postado por  Prov. Sta Teresa do Menino Jesus 07 Agosto 2013
Minha experiência em Angola, África

Venha sem pretensão! Avisou-me Irmã Maria das Graças, quando manifestei meu desejo de fazer uma experiência missionária, por um mês, em Angola. Assim, com esta orientação, tentei abrir meu coração e minha mente para viver o que viesse como aprendizagem e partilha.

Cheguei em Luanda no dia 02 de julho e, com certeza, ao retornar no dia  2 de agosto, eu não era mais a mesma pessoa!

Visitando as comunidades de Luanda, a capital de Angola, e de Kuito, no interior, a 800 km de Luanda, pude perceber o quanto é diferente a cultura do povo e o quanto ainda precisam caminhar em busca de uma libertação de costumes que, por si só, são escravizantes e de práticas que desfavorecem a saúde e a igualdade de direitos.

Reconheci a luta das Irmãs Catequistas Franciscanas pela melhoria das condições de vida do povo, passando pela educação, pela associação de mulheres, pela espiritualidade, pela busca de direitos tão primordiais como ter seu “bilhete”, sua certidão de nascimento.

Em Angola, é preciso ser “com eles” e “por eles”, numa missão inculturada e ao mesmo tempo revolucionária!  Isso é o que as Irmãs realizam todo dia, buscando forças na oração para ter firmeza e paciência no “tempo” daqueles e daquelas que precisam crescer por si mesmos, caminhando com seus próprios passos. E, ao colher suas vitórias, poderem se sentir dignos dela e poder dizer como dizia  uma senhora do Cazenga, ao conseguir seu “bilhete”: AGORA SEI O CAMINHO! VOU LEVAR MUITAS OUTRAS A FAZER O MESMO!

O primeiro sentimento que nos vem ao ver as questões sociais de Angola é a indignação. Ficamos indignados pela falta de assistência, falta de escolas, (salas de aula com mais de 100 alunos) falta de água nas casas,(busca-se água nos pontos de água, carregadas pelas mulheres em vasilhames), de saneamento básico, (Há lixo e lama por todo lado), moradias insalubres ( moram em casas de latas e até em containers). Falta assistência médica: Angola ainda tem poliomielite, hanseníase, febre tifoide, malária ou paludismo, e outras doenças desconhecidas por nós. Tem vacinas, mas as pessoas ainda vão muito nos “hervanários” e só procuram o médico, ou postos de saúde, que são na maioria particulares,  quando já não há mais solução a dar.

A questão social passa também pela falta de “planeamento familiar”, como dizem lá. Mas é uma questão cultural que envolve a forma de pensar e valorizar a mulher. São muitas crianças nascidas nas famílias, que, aliás, também têm outra dimensão, frente ao papel do homem angolano. Isto merece um estudo à parte!

Esse primeiro momento de constatação da realidade, me deu a sensação de impotência! Uma tristeza por querer fazer tanto e perceber que não se dá conta de muito!

Mas, acompanhando as irmãs e vendo quantas congregações religiosas estão lá, uma completando a outra, unidas no mesmo ideal, comecei a perceber que o caminho é “caminhar”! No dia a dia, buscando energias na oração e na convivência, passa-se da indignação à ação e então, toda pequena vitória, torna-se uma grande vitória, porque abre um leque de novas possibilidades.

Vi a importância da atuação das irmãs na “Pastoral da Criança”, de estarem ligadas a Associações de religiosos e religiosas, a dinâmica da autoajuda entre elas e a formação de jovens vocacionadas, com as quais pude conviver em Kuito e partilhar um pouco do meu conhecimento de inglês (reforço escolar), formação para a vida, nossas comidas, e, até colocar meus dotes de costureira em ação.

Houve momentos de me recolher para pensar e segurar o nó na garganta! Tantas necessidades, tantas possibilidades e tantos limites! Li alguns livros, escrevi muito. Meditei!

Apesar do pouco tempo, foi intenso e maravilhoso! Desperto, assim, para um olhar novo sobre a realidade do nosso povo brasileiro, sofrido e marginalizado.

Como disse Santo Agostinho: “Somos todos viajantes. O que é ser viajante? Vou dizer em uma só palavra: “caminhar”! Que sempre te desagrade o que és para chegares ao que ainda não és... vai em frente, caminha sempre, acrescenta sempre”!

Só tenho a agradecer a acolhida das irmãs. Fui irmã também por um mês! Deus as abençoe na sua missão!

Quero voltar a Angola, sem dúvida! Mais preparada, claro!

Informações adicionais

  • Fonte da Notícia: Djanira Piato
  • Enviado por: Fátima Lima

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Isabel do Rocio Kuss, Ana Cláudia de Carvalho Rocha,
Marlene dos Santos e Rosali Ines Paloschi.
Arte: Lenita Gripa

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