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Publicado em Notícias
Postado por  Sede Geral - Ana 12 Maio 2014
COM O POVO GUARANI KAIOWÁ, NA LUTA PELO BEM VIVER

“No meio desta cana toda corre muito sangue indígena!”

Este foi o grito de uma liderança do povo Guarani Kaiowá do Mato Grosso do Sul e que reflete o sentimento que perpassa a história sofrida deste povo na luta pelas terras tradicionais que foram covardemente invadidas pelo agronegócio. Hoje há um bom número de famílias Guarani Kaiowá vivendo acampadas em cidades como Dourados, Amambai, Iguatemi e outras, no MS.

Para conhecer melhor esta realidade complexa a equipe de articulação do Projeto visitou vários acampamentos indígenas no referido estado, entre os dias 07 a 10 de maio. Participaram as irmãs Ana Pereira de Macedo e Teresinha Tontini, da coordenação geral; Magda Luiza Mascarello, Beatriz Catarina Maestri, Emilia Altini, Mayara Arguello da Silva, Francinete Galvão Noronha e Edilúcia de Freitas da coordenação da PSTMJ. A atividade é uma das etapas do Projeto Interprovincial em apoio ao Povo Guarani Kaiowá do MS, assumido no último capítulo geral como parte das celebrações do Centenário da Congregação.

A ação-missão foi programada por essa equipe de irmãs que dinamizam o Projeto, tendo em vista maior aproximação da realidade do povo Guarani Kaiowá nesta fase de conhecimento e discernimento dos passos a serem dados nesta missão, em aliança com o Conselho Indigenista Missionário (Cimi) e outras parcerias.

O primeiro acampamento em que o grupo marcou presença foi o Tekohá Apyka’i,a poucos metros da BR 463 a, aproximadamente, sete quilômetros do município de Dourados. Ali, um grupo de oito famílias vive sob constante tensão, ultimamente sofrendo ameaças de despejo. A líder do grupo, Dona Damiana nos recebeu e partilhou um pouco das lutas de seu povo pela reconquista da terra. Teve oito pessoas de sua família mortas, vítimas do complexo contexto que envolve a sobrevivência desse povo que vive em acampamentos.

Outro acampamento em retomada que conhecemos foi a de Pyelito, no município de Iguatemi, distante quase 200 km de Dourados. Ali, o grupo de 235 indígenas nos recebeu com cantos e danças em local sagrado, próprios do ritual de acolhida Guarani Kaiowá. Uma das lideranças, Lide Solano Lopes, falando da busca pelo território tradicional destacou: “A nossa luta aqui é pesada, mas não vamos abaixar a cabeça”. E dirijindo-se ao nosso grupo, acrescentou: “Deus abençoe o trabalho de vocês!”

Guaiviri foi o último acampamento em que o grupo marcou presença. Ao entardecer, ainda pôde ser vista a fonte de água que sacia a caminhada desse grupo, também sofrendo constantes ameaças e intimidações de fazendeiros e seus pistoleiros.

Em nossos corações calaram fundo o sofrimento constante desse povo na busca de seu tekohá (terra sagrada); a resistência frente ao violento processo de opressão e exclusão provocado pelo agronegócio que impera na região; a espiritualidade profunda que acompanha a trajetória desse povo, na celebração da vida, das mobilizações e do martírio de tantos indígenas; a alegria pelo apoio que recebem de grupos aliados como o nosso.

Foi marcante também o apoio e diálogo com o Cimi/MS, com as missionárias/os, assessores jurídicos, em especial, a presença de Irmã Joana Aparecida Ortiz, da Congregação das Irmãs 
das Franciscanas de Nossa Senhora Aparecida, que nos acompanhou em todas as atividades. Um agradecimento especial às irmandades de Dourados e Campo Grande que nos acolheram com carinho e nos acompanharam nesta missão.

O caminho percorrido teve o sabor da Aliança e do compromisso com os pobres, pequeninos que hoje estendem a mão e pedem pão! Acompanhou-nos a memória viva de um dos grandes mestres nessa trajetória, D. Tomás Balduíno, “porta-voz de Deus e dos excluídos, solidário com os exilados, os necessitados, os últimos; sensível à flor e à espiga que se levantam do chão, como o grito e a luta dos desterrados e abandonados, para proclamar que a primavera já começou...” (Pe. Alfredo Gonçalves).

Os longos trajetos percorridos em que, tristemente, víamos somente milho, cana-de-açúcar e bois, onde antes eram terras indígenas, nos levaram a rezar e a cantar, várias vezes, “Pai nosso, dos pobres marginalizados; Pai-nosso, dos mártires, dos torturados... Pai-nosso revolucionário, parceiro dos pobres, Deus dos oprimidos...”.

 “Insistente é o clamor do oprimido e sentimos este apelo de perto...”

Informações adicionais

  • Fonte da Notícia: Beatriz C. Maestri e Magda Mascarello

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