No dia 04 de janeiro, fazemos memória de Louis Braille, que transformou silêncio em palavra e toque em caminho. Com pontos em relevo, abriu portas para a leitura, o conhecimento e a dignidade de pessoas cegas e com baixa visão, em todo o mundo.
Como Congregação, compreendemos que cuidar da vida é também tornar o mundo acessível, para que ninguém fique à margem do saber, da participação e da esperança. Motivada pelas nossas linhas inspiradoras, pela condição que me une a tantas pessoas com deficiência visual, pela realidade que nos interpela a cada encontro ou desencontro, neste ano, este dia do Braille fala mais forte em mim, convidando a uma partilha.
Em meados do ano que terminou, andando pelas ruas da cidade, reencontrei a direção com ajuda do pai de Heloísa, adolescente cega que me possibilitou conhecer outros amigos e amigas nesta condição. Passados alguns dias, deparei-me com Aloir, usando também bengala, o que nos aproximou numa conversa animada. Através dele comecei a participar do grupo On-line: Retina Santa Catarina e conheci outros colegas de condição da região, num encontro de convivência aqui em Rio do Sul-SC.
Coincidências ou encontros pelos quais Deus vai falando? Destes encontros em conversas sobre a necessidade de nos organizar surgiu a ideia de uma Associação que possibilitasse nos sentir mais unidos, nos ajudando e com mais força legal para exigir direitos e maior inclusão.
Assim nasce a Associação dos Deficientes Visuais do Alto Vale – ADEVAV. Nasce em passos simples mais firmes. Somos aproximadamente vinte membros sendo doze em condições de participação ativa, ainda em processo de organização e de legalização de nosso Estatuto Social, mas já carregada de sonhos e disposição. Nesse percurso, solicitamos colaboração da UNIDAVI, que assessorou a elaboração do Estatuto que agora segue seu caminho de registro. Para os gastos de legalização e início das atividades já fizemos uma pastelada, onde sentimos muito apoio e sensibilidade de familiares, irmãs, simpatizantes da Congregação das Irmãs Catequistas Franciscanas, amigas, amigos, entidades, comércio e sociedade civil em geral.
Celebrar o Dia Mundial do Braille é uma oportunidade de conhecer mais as muitas iniciativas de acessibilidade que existem ou podem existir para maior inclusão da pessoa com deficiência visual conhecendo as melhores formas de linguagem, tratamento, atitudes nas relações interpessoais com pessoas com essa deficiência.
E porque não, oportunidade de refletir como estamos cuidando de nossos olhos, como somos agradecidas/os a eles que nos permitem ver tantas belezas e andar com tanta destreza? Refletir quem sabe, a quantas anda os nossos olhos que vê o essencial - O coração.
É isso que partilho neste dia de Braille. Partilha que vem da gratidão por 2025 e pela alegria esperançosa que nos traz 2026. Sim, pois o Braille não é apenas um sistema de escrita. É ponte, é voz, é presença. É sinal de inclusão, cidadania e esperança.


Comentários