A causa indígena é de todas nós!
Na ressonância desta Dança, partilhamos uma bonita vivencia de irmã Emília Altiini junto aos povos indígenas, como dizia, do próprio punho.
Minha caminhada missionária junto ao Conselho Indigenista Missionário, no Regional de Rondônia, ao longo de 29 anos, isto é, desde 1997, é marcada por encontros profundos, desafios e aprendizados constantes. Mais do que atividades executadas, é vivencia, é um processo de escuta, convivência e conversão pessoal diante da realidade dos povos originários.
Desde o início, compreendi que a missão não consiste em levar respostas prontas, mas em construir caminhos junto aos povos. Entre as presenças nas aldeias, reuniões comunitárias, assembleias e momentos de formação, fui sendo lentamente educada pela sabedoria indígena: uma espiritualidade que brota da terra, uma organização comunitária baseada na coletividade e uma resistência silenciosa, mas firme, diante das ameaças constantes aos territórios, com projetos de mortes.
Entre os povos, a missão requer um exercício permanente de presença. Não basta chegar, é preciso permanecer. A escuta das lideranças, o acompanhamento das situações do território, de saúde, da educação, da sustentabilidade, bem como o apoio às articulações internas, mostra que a missão se faz na constância e na persistência, não apenas nos grandes eventos.
Aprendi que o território não é apenas espaço físico. É memória, é identidade, é espiritualidade. Cada reunião, cada caminhada pela aldeia, cada conversa à sombra de uma casa comunitária reforça que a luta indígena é, antes de tudo, a luta pelo direito de existir como povo.
Se nas aldeias o desafio é a defesa do território, nos contextos urbanos a luta ganha novos contornos. Em Porto Velho (RO) e em Humaitá (AM), o acompanhamento dos povos indígenas que vivem no contexto urbano revela uma realidade invisibilizada: famílias deslocadas, juventudes em busca de estudo e trabalho, e comunidades que tentam manter sua identidade em meio às pressões da vida urbana.
A missão, nesse contexto, torna-se um esforço de articulação, apoio institucional e fortalecimento da organização indígena. Reuniões, escutas, encaminhamentos e momentos de formação mostram que a cidade também é território indígena, ainda que marcado por desigualdades e invisibilidades.
Compreendo cada vez mais que evangelizar, na perspectiva missionária indigenista, não é catequizar culturas, mas defender vidas, dignidades e direitos.
Ao longo desse período, percebo que cada atividade registrada esconde histórias profundas quanto:
- - A confiança conquistada pouco a pouco;
- - A partilha do alimento nas aldeias;
- - O silêncio respeitoso diante das assembleias, conversa;
- - A força das lideranças que não desistem;
- - A fé que se expressa na resistência coletiva.
- A missão me ensinou que não somos protagonistas. Somos companheiros de estrada. A Igreja, quando caminha com os povos indígenas, redescobre sua vocação profética e sua dimensão samaritana.
- Uma missão que continua!
- Carrego comigo a certeza de que a presença missionária junto aos povos originários permanece nas relações construídas, nos processos acompanhados, na consciência transformada e na vida partilhada. Os povos indígenas não precisam de salvadores, mas de aliados. Precisam de quem caminhe junto, denuncie injustiças, fortaleça suas organizações e reconheça sua sabedoria.
- Nesta experiência aprendo muito mais do que ensino. A convivência com os povos indígenas me ensina que defender a vida, o território e a cultura é também viver o Evangelho. E é nessa convicção que sigo, com gratidão e esperança, acreditando que a missão se faz sempre no encontro com os povos, com a terra e com o Deus que continua presente entre os pequenos e os que resistem.
- Minha profunda gratidão pela confiança, pelo aprendizado e pela caminhada missionária partilhada até o momento, especialmente no compromisso com os povos indígenas, na defesa dos territórios e da vida. Permanece comigo os valores, a formação e o testemunho vivenciados nesta missão até o momento.

